Nascido em Lisboa, João Corte-Real soma mais de 20 anos de experiência como gerente e diretor de hotéis de luxo. Mas, há quatro meses,
tem encarado um novo (e grande) desafio: manter a qualidade de um dos hotéis mais luxuosos de São Paulo, o icônico Tivoli Mofarrej.

Por: Malu Bonetto

Ao decidir se hospedar em um hotel ou resort, você quer ser bem recepcionado, aproveitar da infraestrutura impecável e degustar refeições deliciosas. Afinal, seja a trabalho ou a lazer, essa deve ser uma experiência inesquecível. E o responsável por tornar esses momentos tão prazerosos é o diretor geral do hotel. Com passagens pelo Tivoli Palácio de Seteais, pelo Troia Resort e pelo Lisboa Regency Chiado Hotel, em Portugal, além do Anantara Lawana Koh Samui Resort, na Tailândia, o português João Corte-Real é, desde novembro de 2018, o diretor geral do Tivoli Mofarrej São Paulo, hotel membro da The Leading Hotels of the World e que conta com 217 apartamentos – incluindo a maior suíte presidencial da América Latina, com 750 m2 –, o restaurante Seen São Paulo, o Must Bar, o Anantara Spa, além de piscina, heliponto e espaço para eventos.

GW: Como descobriu sua paixão pela hotelaria?
JC: Meus pais viajaram muito comigo e meus irmãos, diziam que era uma boa oportunidade para absorvermos conhecimento, fosse indo a um museu, do que não gostava muito, ou conhecendo novos lugares. E eu ficava curioso para saber como funcionavam os bastidores dos hotéis, como organizavam a cozinha, os quartos, quantos funcionários estavam envolvidos no dia a dia. Os detalhes nos quais os jovens costumam não reparar me fascinavam.

GW: Quando decidiu que essa seria sua profissão?
JC: No início minha família ficou na dúvida se era uma boa carreira para seguir, mas, vendo meu fascínio, me apoiaram. Fiz meu primeiro curso de hotelaria em Lisboa, e logo consegui estágios durante os verões de Portugal e da Europa. Eu me orgulho em dizer que comecei a carreira na cozinha fria, no buffet e no coffe break, áreas em que o chef dá seu toque, mas quem descasca as batatas é o hoteleiro. Foi uma época difícil, mas fundamental para o meu aprendizado. E, por causa dessa experiência, eu dou mais valor ainda para toda minha equipe.

GW: Quando assumiu a gerência de um hotel?
JC: Eu trabalhei durante um tempo na rede Enatur – Pousadas de Portugal. Na época, eram 42 estabelecimentos – normalmente, em castelos, mosteiros, conventos – que foram recuperados e viraram hotéis de luxo. Trabalhei no escritório central, mas acabava fazendo um pouco de tudo, desde ajudar a limpar e montar menu até fazer inventário. E isso, na rede toda. Quando o gerente de uma das pousadas ficava doente e precisavam de alguém que ficasse no posto uns três meses, eu me candidatava logo, era uma ótima oportunidade de aprender e crescer na profissão, além de poder conhecer novos lugares. Até que surgiu a oportunidade de gerenciar uma pousada que ia reabrir no sul de Portugal, a Pousada de São Brás de Alportel. Eram 20, 30 quartos, mas foi uma experiência única. Fiquei dois anos lá.

GW: Qual o papel de um diretor geral de hotel?
JC: Fazer tudo, ou, pelo menos, tentar estar de olho em tudo. Costumo dizer que é uma função estratégica, é preciso observar bem o andamento do estabelecimento, o direcionamento das vendas, o posicionamento do produto, o desempenho financeiro e da equipe e o acompanhamento diário da operação. É uma função estratégica em relação, também, ao rumo que queremos tomar e a quais mercados queremos conquistar.

GW: Como surgiu o convite para vir ao Tivoli Mofarrej?
JC: De 2015 a 2018, fiquei no Anantara Lawana Koh Samui Resort, uma propriedade cinco estrelas na Tailândia. A marca Anantara é muito forte no mercado de luxo e foi a primeira vez que precisei lidar com dois patrões: os tailandeses e a marca Anantara. Ano passado resolvemos fechar o resort por quatro meses, e foi nesse meio-tempo que fui convidado para vir à São Paulo. Eu já conhecia o Marco Amaral (vice-presidente de operações e desenvolvimento da Minor Hotels para a Europa e a América Latina) da época em que trabalhei no Tivoli de Portugal. Essa era a oportunidade de eu conhecer o mercado da América Latina, mais precisamente do Brasil. Eu já tinha conhecimento da Anantara, não havia muita gente disponível para a vaga e eu ainda tinha a vantagem de falar a língua.

GW: Quais os novos rumos que pretende dar ao Mofarrej?
JC: Estou há quatro meses em São Paulo e já percebi que a cidade tem tanto a oferecer em relação a diversidade gastronômica e cultural que deveria ser mais divulgado o turismo aqui. E o hotel tem papel fundamental nisso! O hotel está muito bem estruturado, mas é claro que temos novos projetos: pretendemos reformular alguns apartamentos e fazer ações especiais, como a Sunday Sensation, pela qual vamos oferecer, até abril, uma programação especial nas tardes de domingo com DJ na piscina, frutos do mar e coquetéis.

GW: O fato de o Tivoli Mofarrej ser um ícone de São Paulo e ter hóspedes fiéis, pesa muito na hora de mudar algo?
JC: Acredito que não, e todas as mudanças que já foram realizadas foram muito bem aceitas pelo público. Eles sabem que inovamos para continuar oferecendo um serviço de excelência. O hotel não é tão novo, tem uns 40 anos, mas, ao mesmo tempo, tem um toque de modernidade, visto o Seen, o Must e o Anantara SPA. Somos uma referência em hotelaria na cidade.

GW: Há diferença no tipo de hóspede e nos serviços oferecidos no Tivoli Lisboa e no Tivoli São Paulo?
JC: Em Portugal, os hóspedes vão em busca da realização de um sonho, de viver como a realeza por um dia. Os móveis de época foram restaurados para oferecer uma experiência única. Em São Paulo, os hóspedes querem um quarto confortável, uma internet boa – porque, certamente, em algum momento, irão trabalhar –, canais internacionais na televisão e refeições de qualidade e rápidas.

GW: Com tanta experiência em hotelaria, quando você vai se hospedar em um hotel, nas férias, no que repara?
JC: Confesso que tenho o olhar mais crítico que a maioria dos hóspedes, mas, quando estou de férias, sou tranquilo. O mais importante na escolha de um hotel, para mim, é sua localização. Costumo não fazer todos os passeios em um só dia, gosto de conhecer os locais com calma. A qualidade da internet também é importante porque, normalmente, acabo levando algumas pendências de trabalho para resolver, e, claro, o serviço oferecido também tem de ser excelente. Afinal, estou lá para relaxar e quero ser bem tratado.

GW: E qual o segredo para um hotel ter sucesso?
JC: Sem dúvidas, a consistência do serviço oferecido. As pessoas voltam para se hospedar em um hotel porque o ser-viço é bom. Não adianta ser o melhor hotel do mundo, se o serviço não for bom. E isso é a minha responsabilidade.

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