Eaton Square é hoje uma espécie de clube residencial, frequentado por um escol de capitalistas internacionais, diplomatas de nações com ambições imperialistas e meia dúzia de aristocratas ingleses. Também já aqui viveram a lady-actriz Vivien Leigh, o treinador português José Mourinho e o coleccionador de arte Charles Saatchi. Luís Maio (texto e fotos) foi bisbilhotar o bairro residencial mais exclusivo de Londres

Os centros históricos das cidades europeias (das nossas inclusive) são cada vez mais recreios para turistas. Mas são também cada vez menos habitados, em parte devido a essa invasão de gente de fora. Londres, hoje a maior cidade europeia, confirma a tendência, mas junta-lhe meia dúzia de notáveis excepções. Estas bolsas residenciais no coração da capital inglesa estão mesmo entre os códigos postais mais caros do mundo, inflacionismo justificado por um misto de prestígio e raridade dos espaços disponíveis, a que haverá que juntar uma forte dose de especulação. Chelsea, Mayfair e Notting Hill destacam-se na short list, mas a actual líder no campeonato de moradas exorbitantes é sem dúvida Eaton Square, elegante praça ajardinada no coração da freguesia de Belgravia.

A maior parte dos guias passam ao lado, os turistas só lá vão parar por engano. Eaton Square nem sequer é uma zona de moda, ou especialmente badalada nas páginas cor-de-rosa. Na verdade, a única cobertura regular que recebe é na imprensa de negócios e de habitação. “Melhor zona residencial para donos de empresas com rendimentos anuais acima dos 12 milhões de libras”, “Investidor bilionário compra casa por 38,35 milhões de euros”, “Apartamento remodelado por Norman Foster no mercado por 46,75 milhões de euros”, “Estábulo à venda por 8, 4 milhões de euros”, “Imobiliária diz que não se não puder pagar mil e duzentos euros por metro quadrado é melhor procurar casa noutro bairro” – estas são algumas das notícias recentes sobre Eaton Square, que mereceram enfoque no credenciado Financial Times.

Notícias que me aguçaram a curiosidade e levaram a passar um fim-de-semana às voltas em Belgravia. Afinal que casas tão excepcionais são essas que custam tanto ou mais que palacetes? Quem serão os privilegiados que vivem lá dentro? Será que essa elite endinheirada vai à rua passear o cão e socializar, ou pelo menos assoma à janela para ver quem passa? Em qualquer dos casos, espreitar os ricos sempre foi e sempre será um passatempo de pobres e remediados.

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