A paixão do colecionador e designer Olivier Châtenet pela moda transcendeu as suas criações como estilista e o fez lançar duas marcas próprias. Durante os mais de 30 anos de dedicação ao setor, ele também construiu uma coleção de peças vintage. Entre elas, mais de quatro mil peças da Yves Saint Laurent, que resultaram no maior acervo privado com itens da grife. O garimpo feito por Oliver agora retorna à casa de alta-costura, após a Saint Laurent anunciar, na quinta-feira (6/8), a compra do arquivo completo.

Nos últimos anos, Oliver Châtenet mostrou ao mundo o orgulho pela coleção recheada com peças da marca francesa. Por conta própria, realizou uma curadoria minuciosa, alvo de diversas exposições ao redor do globo, com paradas em Paris, Hong Kong e Xangai. O acervo também serviu como figurino para recriar desfiles de moda durante as gravações do filme Saint Laurent, em 2014, dirigido por Bertrand Bonello.

O arquivo reúne itens datados de 1966 a 1985. As peças de vestuário carregam a visão do estilista Yves Henri Donat Mathieu sobre o período em que popularizou a linha de prêt-à-porter, época em que as coleções seguiram o formato prontas para vestir, com preços mais acessíveis, enfatizando a finalidade comercial.

“Gosto da ideia dessa coleção ser útil, e não apenas algo que gosto”, disse Châtenet ao WWD sobre sua decisão de vender a coleção. “Eu ainda a amo tanto, mesmo que não pertença mais a mim”, complementou.

Um dos nomes mais importantes da alta-costura, Yves Saint Laurent criou, em 1996, o célebre terninho feminino batizado como Le Smoking. Na época, o conjunto proporcionou um novo olhar, com menos estereótipos de “feminilidade”, para o corpo feminino. No entanto, ainda não foi divulgado se o blazer original se faz presente na coleção vintage arrematada pela label.

O valor investido pela grife de luxo para adquirir a coleção vintage não foi revelado, mas o lote icônico é composto por blusas, malhas, casacos, vestidos, ternos, joias, cachecóis e alguns itens de alta-costura. Segundo a Harpers Bazaar, um vestido bordado com alto rigor técnico criado no verão de 1967 integra a coleção. A peça de haute couture pertencia à duquesa de Windsor, Wallis Simpson, antes de passar a integrar a seleção de Olivier Chatenet.

“Monsieur Yves Saint Laurent construiu um legado muito valioso que é uma fonte inesgotável de inspiração”, destacou Anthony Vaccarello, diretor criativo da marca, em comunicado. O designer também apontou o destino das peças: os itens arrematados vão somar ao amplo acervo da Saint Laurent, que fica em Paris.

Na capital francesa, um extenso arquivo da YSL já conta com cinco mil peças de vestuário, 15 mil acessórios e vários croquis de moda, que serviram com base para as criações icônicas da casa de luxo francesa. Todos os itens estão alojados na sede da marca.

Anthony Vaccarello assumiu a direção criativa da marca em 2016. A recente grande aquisição para a casa francesa estreitou seus laços com o Museu Yves Saint Laurent, além de aprimorar seu arquivo de inspiração. Por enquanto, a fundação está com uma exposição especial sobre Betty Catroux. Os ingressos estão disponíveis via site.

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