Foto: André Klotz

No momento em que o setor de turismo é um dos mais afetados pela pandemia, a empresária Fernanda Ralston Semler celebra a entrada na prestigiada rede Six Senses, que escolheu o Botanique Hotel & Spa, na Serra da Mantiqueira (SP), como sua primeira unidade nas Américas. É a 20ª unidade da bandeira que tem a maioria (9) de seus hotéis na Ásia e no Pacífico, em paraísos como o Six Senses Bhutan e o Six Senses Laamu, nas Maldivas. Desde o dia 9 de fevereiro, o hotel localizado no Triângulo da Serra (entre Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí e Santo Antonio do Pinhal) passou a se chamar Six Senses Botanique.

“O conceito já implantado no hotel, de valorização do entorno, sustentabilidade, serviço personalizado, luxo inteligente, além de uma sintonia de crenças e valores, que ficaram óbvias desde o primeiro encontro com o Neil Jacobs (CEO e fundador da Six Senses)”, conta Fernanda sobre o que teria sido determinante para a escolha do hotel inaugurado em 2012, realização de uma ideia que nasceu sete anos antes. “A localização do Botanique, na confluência de três vales, no coração da Mantiqueira, é única, e oferece uma oportunidade maravilhosa para encontrar harmonia e reconexão – consigo mesmo, com o mundo ao redor, com os outros e com a natureza”, diz o gerente-geral Dominic Scoles. “Os valores da Six Senses estão alinhados com a visão da Fernanda de luxo pós-moderno.”

Por volta de 2003, Fernanda desenvolveu o conceito de pós-luxo baseado em cinco pilares: qualidade de matéria-prima, atemporalidade, originalidade, valor justo e propósito maior/identidade local. Em 2007, se casa com Ricardo Semler e faz as malas para viver na Mantiqueira. “A ideia de criar o Botanique nasceu exatamente para ser um exemplo do conceito de pós-luxo”, completa Fernanda.

Entre as novidades do primeiro Six Senses das Américas: novos menus do restaurante Mina (com salão envidraço apoiado em toras de madeira de uma antiga fazenda – um verdadeiro mirante para as montanhas da serra); jantar de sete etapas feito sob medida para cada hóspede; Fire Side, o novo bar no lobby e as terapias do Spa da Six Senses, de fama internacional. Na entrevista a seguir, Fernanda conta como chegou até esse momento em que está “muito feliz em poder finalmente ter o prazer de ‘brincar’ de ser proprietária”.

Forbes: Quais as lembranças da infância no Brasil? Sonhava em ser o quê quando adulta?

Fernanda Ralston Semler: Tenho as melhores lembranças da minha infância. Nasci em família quatrocentona paulistana e imensamente privilegiada. Viajávamos muito, e eu, sendo a quinta de seis filhos, vivi – até os meus 14 anos – uma época tranquila, onde a vida era feita de momentos alegres. Tive muitos problemas com as escolas onde estudei: fui expulsa de três delas por indisciplina. Apesar de conseguir boas notas, não tinha o menor interesse em aceitar as regras impostas pelos professores, mas isto não impediu de receber muito carinho por parte da minha mãe. Sempre sonhei com cenografia, pois adorava fazer montagens em brincadeiras e festas. Participava e escrevia roteiros para as peças teatrais e apresentações de final de ano. O que mais adorava eram os figurinos e a iluminação, que ainda hoje permanecem como algo que me desperta muito interesse.

F: Como foi a experiência no colégio interno em Nova York? Passou quantos anos na cidade? Qual a principal lição dessa época?

FS: Estudei no The Masters School (internato só de meninas). Diferente dos meus irmãos, e como mencionei, tive experiências ruins com várias escolas no quesito disciplina e no respeito por autoridades. Com 14 anos, meu pai ficou muito doente e nossa vida toda mudou. Foi quando, em acordo com minha mãe, fui estudar fora. Esta época foi um grande divisor de águas, pois passaria os próximos nove anos fora do Brasil e o mundo finalmente apareceu, para minha enorme surpresa, como um lugar onde a minha hiperativiadade, criatividade e rebeldia seriam grandes aliados para o meu sucesso.

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